Bem- estar e Movimento

Bem- estar e Movimento

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Dicas para uma correta utilização das mochilas escolares



O transporte da mochila escolar representa uma tarefa diária na vida das crianças. Quando as características das mochilas (peso, tipo de alças, número de bolsas e outras) estão desajustadas à criança, o seu uso poderá trazer algumas consequências, a nível da saúde, como: alteração do padrão de marcha, má postura, desconforto e/ou dor a nível da coluna e ombro. Assim, torna-se importante seguir algumas linhas orientadoras aquando da escolha da mochila e do seu transporte, de forma a prevenir lesões (Javadivala et al., 2012; National Safety Council, 2017; APTA, 2017).

Quando compra uma mochila para o seu filho deverá certificar-se que esta apresenta:
- Um design ergonómico;

- Um tamanho correto: nunca mais largo ou comprido que o tronco da criança; não deve ultrapassar os 10 cm abaixo da cintura;

- Alças largas e almofadadas;

- Costas almofadadas;

- Cintos a nível da anca e peito (para ajudar a transferir algum peso para a anca e tronco);


- Compartimentos múltiplos (para melhor distribuir o peso; colocar os objetos mais pesados junto às costas) (National Safety Council, 2017; APTA, 2017; Forjuoh et al., 2003).



Na altura de preparar a mochila para a escola certifique-se de que tudo o que é guardado é necessário e se está arrumado de forma adequada. Na medida do possível, certifique-se que o peso da mochila é inferior a 10%-15% do peso corporal (National Safety Council, 2017; Forjuoh et al., 2003).




Na altura do transporte da mochila verifique se as alças estão bem ajustadas, ensine o seu filho a levantar de forma adequada a mochila (com os joelhos dobrados e de frente para a mesma), relembre o seu filho que deverá sempre transportar a mochila com as 2 alças (National Safety Council, 2017; Forjuoh et al., 2003).




Adicionalmente, o Fisioterapeuta poderá ajudar a melhorar problemas que se verifiquem a nível da postura, corrigir desequilíbrios musculares e tratar a dor que possa resultar do uso inadequado da mochila (APTA, 2017).




Referências:
Forjuoh, N., Little, D., Schuchmann, J.A., Lane, B.L. 2003. Parental knowledge of school backpack weight and contentes. Arch Dis Child.88:18–19.

Gardon, G., Balagué, F. (2004) Backpacks and spinal disorders in school children. Eur Med Phys. 40:15-21.

Javadivala, Z., Allahverdipour, H., Dianat, I., Bazargan, M. (2012) Awareness of Parents about Characteristics of a Healthy School Backpack. Health Promotion Perspectives. 2(2):166-172.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Síndrome de Stress Tibial Medial (“Canelite”) – O que é?

A “Canelite” desenvolve-se quando é aplicado stress, excessivo e repetido, a nível da tíbia (principal osso da canela). Esta condição causa dor na parte interna (de dentro) da canela (Kudo et al., 2015; Schulze et al., 2014; Moen et al., 2012; Craig, 2008; Galbraith et al., 2009; APTA, 2017).

Figura 1 - Anatomia da perna

Afeta entre 4 a 35% dos atletas, que correm ou saltam, e da população militar. Alguns fatores de risco para o desenvolvimento desta condição incluem:
- Tipo de desporto (desportos com corrida e salto);
- Superfície de treino;
- Volume de treino;
- Sapatos;

- Aplanamento do arco do pé e alteração padrão de marcha (Kudo et al., 2015; Galbraith et al., 2009; Craig, 2008; APTA, 2017).


Figura 2 - Fatores de risco (exemplos)





Síndrome de Stress Tibial Medial (“Canelite”) – Quais os sintomas?

Em casos de “Canelite” o indivíduo poderá experienciar:
- Dor na região média ou último terço da região interna da canela;
- Dor à palpação;
- Dor durante ou após o exercício (Schulze et al., 2014; Craig, 2008; APTA, 2017). 

Figura 3 - Regiões de dor




Síndrome de Stress Tibial Medial (“Canelite”) – Que Intervenção?

Após avaliação o plano de intervenção poderá incluir:
- Técnicas para alívio da dor (poderá ser recomendado, por exemplo, a cessação da atividade ou exercício que agrave a condição, aplicação de gelo, exercícios suaves de flexibilidade, massagem, mobilização articular e outros);
- Exercícios de fortalecimento muscular a nível da anca (para diminuir stress a nível do membro inferior) e da canela (para diminuir o aplanamento do pé);
- Exercícios de alongamento (para tornozelo e pé);
- Modificação das técnicas de saltar e de corrida;
- Alteração para um calçado que proporcione um maior suporte do pé e absorção do choque (Kudo et al., 2015; Schulze et al., 2014; Moen et al., 2012; Craig, 2008; Galbraith et al., 2009; APTA, 2017).



Figura 4 - Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados.




Síndrome de Stress Tibial Medial (“Canelite”) – Pode ser Prevenida?

A evidência disponível no que diz respeito à prevenção desta condição é limitada e inconclusiva. Apesar disso alguns métodos mostram-se promissores:
- Uso de palmilhas que absorvam o choque;
- Corrigir erros de treino, da técnica e alterações de alinhamento;
- Realizar alongamentos antes e após o exercício;
- Realizar exercícios de fortalecimento e endurance para o pé, anca e músculos pélvicos (Galbraith et al., 2009; Craig, 2008; APTA, 2017).


Figura 5 - Alinhamento corporal durante a acorrida



Referências:
Moen, M.H., Holtslag, L., Bakker, E., et al. (2012). The treatment of medial tibial stress syndrome in athletes: a randomized clinical trial. Sports Med Arthrosc Rehabil Ther Technol. 4:12.

Schulze, C., Finze, S., Bader, R., Lison, A. (2014). Treatment of Medial Tibial Stress Syndrome according to the Fascial Distortion Model: A Prospective Case Control Study. Scientific World Journal. 2014. 6.

Craig, D.I. (2008) Medial Tibial Stress Syndrome: Evidence-Based PreventionJournal of Athletic Training. 43(3):316–318.

Luedke, L.E., Heiderscheit, B.C., Williams, D.S.B., Rauh, M.J. (2015) Association of isometric strength of hip and knee muscles with injury risk in high school cross country runners. The International Journal of Sports Physical Therapy. 10(6) 868- 876.

Galbraith, R.M., Lavallee, M.E. (2009) Medial tibial stress syndrome: conservative treatment options. Curr Rev Musculoskelet Med. 2:127–133.

Kudo, S., Hatanaka, Y. (2015). Forefoot flexibility and medial tibial stress syndrome. Journal of Orthopaedic Surgery. 23(3):357-60.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Síndrome do Desfiladeiro Torácico – O que é?

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) resulta da compressão de estruturas neurovasculares, nas regiões do pescoço e axila, chamadas de desfiladeiro torácico. Existem 3 locais de possível compressão: o 1º - triângulo interescalénico (entre músculos escalenos anterior, médio e 1ª costela), o 2º - espaço costoclavicular (entre 1ª costela e clavícula) e, o 3º - túnel sub-coracóide (inferior ao processo coracoide e profundamente em relação ao tendão do músculo peitoral menor). As estruturas envolvidas, em casos de SDT, incluem o plexo braquial, a artéria subclávia e/ou a veia subclávia (Wakefield, 2014; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).

Figura 1- Anatomia Desfiladeiro Torácico

Figura 2- Anatomia Desfiladeiro Torácico


Alguns fatores de predisposição para a SDT incluem: a presença de uma costela supranumerária, má postura, posição de dormir e má respiração. Desportos que incluam movimentos repetitivos acima da cabeça poderão precipitar a SDT (Wakefield, 2014; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Quais os sintomas?

A SDT é classificada tendo por base o tipo de estruturas comprimidas assim, os sintomas podem variar. Contudo, mais de 90% dos casos são considerados como sendo neurogénicos (compressão nervosa).

Em casos de SDT por compressão arterial poderá sentir:
- Dor na mão (raramente no ombro e pescoço);
- Frio ou intolerância ao frio;
- Adormecimento e formigueiro.

Em casos de SDT por compressão venosa poderá sentir:
- Dor no braço;
- Inchaço no braço;
- Alteração na coloração do braço (azulado);
- Sensação de braço pesado;
- Adormecimento e formigueiro nos dedos e mão.

Em casos de SDT neurogénica “verdadeira” poderá sentir:
- Dor, adormecimento e formigueiro na mão, braço, ombro e frequentemente no pescoço;
- Dores de cabeça;
- Dificuldades na manipulação;
- Intolerância ao frio;
- Mão fria e alteração da cor (Wakefield, 2014; Vanti et al., 2007; Kuwayama et al., 2017; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).

Figura 3- Desfiladeiro Torácico, possíveis áreas de dor.



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Que Intervenção?

 Em casos de SDT o plano de intervenção poderá incluir:
- Terapia Manual (técnicas de mobilização articular: clavícula, 1ª costela, mobilização nervosa e outros);
- Exercícios de fortalecimento e alongamento (ensino de exercícios que permitirão melhorar o movimento na área afetada);
- Educação (ensino de estratégias para minimizar os sintomas e colocar menos “stress” sobre as estruturas envolvidas na SDT).
A utilização destas técnicas permitirá aliviar o desconforto que o indivíduo sente e melhorar a sua capacidade para realizar as atividades diárias (Wakefield, 2014; Vanti et al., 2007; Kuwayama et al., 2017; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; Hooper et al., 2010; APTA, 2017).

Figura 4- Desfiladeiro Torácico, exemplos de exercícios que poderão ser recomendados.



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Pode ser prevenida?

Alguns casos de SDT não podem ser prevenidos, por exemplo, em casos de variações anatómicas, condições congénitas e outros. Compreender os fatores de risco que poderão tornar o indivíduo mais propenso a desenvolver esta condição poderá ser o primeiro passo na sua prevenção (Vanti et al., 2007; Hooper et al., 2010; APTA, 2017).


Referências:
Kuwayama, D.P., Lund, J.R., Brantigan, C.O., Glebova, N.O. (2017) Choosing Surgery for Neurogenic TOS: The Roles of
Physical Exam, Physical Therapy, and Imaging. Diagnostics. 7(37): 13.

Chandra, V., Little, C., Lee, J.T. (2014) Thoracic outlet syndrome in high-performance athletes. Journal of vascular surgery. 60(4): 1012-1018. 
Wakefield, M.L. (2014) Case Report: The Effects of Massage Therapy on a Woman with Thoracic Outlet Syndrome. International Journal of Therapeutic Massage and Bodywork. 7(4):7-14.

Freischlag, J., Orion, K. (2014) Understanding Thoracic Outlet Syndrome. Scientifica. 6.

Sanders, R.J., Annest, S.J. (2017) Pectoralis Minor Syndrome: Subclavicular Brachial Plexus Compression. Diagnostics. 7(46):12.

Hooper, T.L, Denton, J., McGalliard, M.K., Brismée, J.M., Sizer, P.S. Jr. (2010) Thoracic outlet syndrome: a controversial clinical condition; part 1: anatomy and clinical examination/diagnosis. J Man Manip Ther. 18(2):74–83. 

Hooper, T.L, Denton, J., McGalliard, M.K., Brismée, J.M., Sizer, P.S. Jr. (2010) Thoracic outlet syndrome: a controversial clinical condition; part 2: non-surgical and surgical management. J Man Manip Ther. 18z(3):132–138. 

Vanti, C., Natalini, L., Romeo, A., Tosarelli, D., Pillastrini, P. (2007) Conservative treatment of thoracic outlet syndrome: a review of the literature. Eura Medicophys. 43(1):55–70. 


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Disfunção Sacro-ilíaca (SI) – O que é?

A disfunção Sacro-ilíaca (SI) afeta 15 a 20% dos pacientes que referem dor na região inferior das costas (Jonely et al., 2015).

A disfunção da SI é uma condição que pode resultar de “rigidez” (hipomobilidade) ou “laxidão” (hipermobilidade) a nível desta articulação, na pélvis. A SI é uma articulação entre o sacro e o ilíaco (osso da pélvis). Geralmente os 2 lados desta articulação funcionam em conjunto. Assim, quando um dos lados se torna menos móvel ou imóvel, a articulação não se move em conjunto o que poderá provocar dor ou “rigidez” muscular na área. Em resultado desta diminuição de mobilidade de um dos lados, o outro lado poderá compensar movendo-se demais (hipermóvel) (Jonely et al., 2015; APTA, 2017). 

Figura 1- Anatomia Sacro-ilíaca

Esta condição poderá ocorrer nas seguintes condições:
- Ciclo menstrual ou gravidez por alterações hormonais que provocam laxidão ligamentar;
- Situações de queda, sobre um dos lados do corpo, alterando a posição da articulação;
- Treino excessivo (atletas);
- Desequilíbrios e problemas musculares (como hipermobilidade ou displasia) (Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 2 - (A) Queda; (B) Alteração da posição da articulação (exemplo)



Disfunção SI – Quais os Sintomas?

Indivíduos com disfunção sacro-ilíaca podem referir:
- Dor localizada, num dos lados, nas regiões da pélvis, inferior das costas, virilha ou cóccix;
- Dor que pode irradiar até ao joelho;
- Dor em movimentos como: andar, de pé, passar da posição de sentado para de pé, virar na cama, dobrar/rodar;
- Sensibilidade e tensão nos músculos da região da anca (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 3 - Região de dor



Disfunção SI – Que Intervenção?

Tendo por base o seu caso, o plano de intervenção poderá incluir:
- Terapia Manual (técnicas de mobilização articular, técnicas de músculo-energia, massagem e outras);
- Exercícios de flexibilidade (para melhorar a mobilidade dos músculos da região o que permitirá diminuir o “stress” na SI);
- Exercícios de fortalecimento (para melhorar a estabilidade da articulação SI e da região lombar);
- Calor/Gelo (para relaxar músculos tensos/ para aliviar a dor);
- Ortótese (poderá ser recomendada a utilização de uma “cinta SI” utilizada para suportar a articulação SI durante as atividades do dia-a-dia enquanto recupera a sua força e flexibilidade) (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 4 - Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados



Disfunção SI – Pode ser Prevenida?

Esta condição pode ser prevenida através de:
- Manutenção de uma atividade física regular/realização programas de exercícios (que incluam fortalecimento e flexibilidade);
- Prevenção de quedas;
- Utilização de uma mecânica corporal apropriada (por exemplo: manutenção de uma postura adequada na realização de tarefas) (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 5- Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados



Referências:
Jonely, H., Brisme´e, J.M., Desai, M., Reoli, R. (2015) Chronic sacroiliac joint and pelvic girdle dysfunction in a 35-year-old nulliparous woman successfully managed with multimodal and multidisciplinary approach. Journal of Manual and Manipulative Therapy. 23(1). 20-26.

Mitchell, D., Esler, D. (2009) Pelvic instability Painful pelvic girdle in pregnancy. Australian Family Physician. 38 (6). 409-410.

Monticone, M., Barbarino, A., Testi, C., Arzano, S., Moschi, A., Negrini, S. (2004) Symptomatic Efficacy of stbilizing treatment versus laser therapy for sub-acute low back pain with positive tests for sacroiliac dysfunction:a randomised clincal controlled trial with 1 year follow-up. Eur Med Phys. 40. 263-268.

Massoud Arab, A., Nourbakhsh, M., Mohammadifar, A. (2011) The relationship between hamstring length and gluteal muscle strength in individuals with sacroiliac joint dysfunction. Journal of Manual and Manipulative Therapy. 19 (1). 5-10.