Bem- estar e Movimento

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Síndrome do Desfiladeiro Torácico – O que é?

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) resulta da compressão de estruturas neurovasculares, nas regiões do pescoço e axila, chamadas de desfiladeiro torácico. Existem 3 locais de possível compressão: o 1º - triângulo interescalénico (entre músculos escalenos anterior, médio e 1ª costela), o 2º - espaço costoclavicular (entre 1ª costela e clavícula) e, o 3º - túnel sub-coracóide (inferior ao processo coracoide e profundamente em relação ao tendão do músculo peitoral menor). As estruturas envolvidas, em casos de SDT, incluem o plexo braquial, a artéria subclávia e/ou a veia subclávia (Wakefield, 2014; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).

Figura 1- Anatomia Desfiladeiro Torácico

Figura 2- Anatomia Desfiladeiro Torácico


Alguns fatores de predisposição para a SDT incluem: a presença de uma costela supranumerária, má postura, posição de dormir e má respiração. Desportos que incluam movimentos repetitivos acima da cabeça poderão precipitar a SDT (Wakefield, 2014; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Quais os sintomas?

A SDT é classificada tendo por base o tipo de estruturas comprimidas assim, os sintomas podem variar. Contudo, mais de 90% dos casos são considerados como sendo neurogénicos (compressão nervosa).

Em casos de SDT por compressão arterial poderá sentir:
- Dor na mão (raramente no ombro e pescoço);
- Frio ou intolerância ao frio;
- Adormecimento e formigueiro.

Em casos de SDT por compressão venosa poderá sentir:
- Dor no braço;
- Inchaço no braço;
- Alteração na coloração do braço (azulado);
- Sensação de braço pesado;
- Adormecimento e formigueiro nos dedos e mão.

Em casos de SDT neurogénica “verdadeira” poderá sentir:
- Dor, adormecimento e formigueiro na mão, braço, ombro e frequentemente no pescoço;
- Dores de cabeça;
- Dificuldades na manipulação;
- Intolerância ao frio;
- Mão fria e alteração da cor (Wakefield, 2014; Vanti et al., 2007; Kuwayama et al., 2017; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; APTA, 2017).

Figura 3- Desfiladeiro Torácico, possíveis áreas de dor.



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Que Intervenção?

 Em casos de SDT o plano de intervenção poderá incluir:
- Terapia Manual (técnicas de mobilização articular: clavícula, 1ª costela, mobilização nervosa e outros);
- Exercícios de fortalecimento e alongamento (ensino de exercícios que permitirão melhorar o movimento na área afetada);
- Educação (ensino de estratégias para minimizar os sintomas e colocar menos “stress” sobre as estruturas envolvidas na SDT).
A utilização destas técnicas permitirá aliviar o desconforto que o indivíduo sente e melhorar a sua capacidade para realizar as atividades diárias (Wakefield, 2014; Vanti et al., 2007; Kuwayama et al., 2017; Sanders et al., 2017; Chandra et al., 2014; Hooper et al., 2010; APTA, 2017).

Figura 4- Desfiladeiro Torácico, exemplos de exercícios que poderão ser recomendados.



Síndrome do Desfiladeiro Torácico – Pode ser prevenida?

Alguns casos de SDT não podem ser prevenidos, por exemplo, em casos de variações anatómicas, condições congénitas e outros. Compreender os fatores de risco que poderão tornar o indivíduo mais propenso a desenvolver esta condição poderá ser o primeiro passo na sua prevenção (Vanti et al., 2007; Hooper et al., 2010; APTA, 2017).


Referências:
Kuwayama, D.P., Lund, J.R., Brantigan, C.O., Glebova, N.O. (2017) Choosing Surgery for Neurogenic TOS: The Roles of
Physical Exam, Physical Therapy, and Imaging. Diagnostics. 7(37): 13.

Chandra, V., Little, C., Lee, J.T. (2014) Thoracic outlet syndrome in high-performance athletes. Journal of vascular surgery. 60(4): 1012-1018. 
Wakefield, M.L. (2014) Case Report: The Effects of Massage Therapy on a Woman with Thoracic Outlet Syndrome. International Journal of Therapeutic Massage and Bodywork. 7(4):7-14.

Freischlag, J., Orion, K. (2014) Understanding Thoracic Outlet Syndrome. Scientifica. 6.

Sanders, R.J., Annest, S.J. (2017) Pectoralis Minor Syndrome: Subclavicular Brachial Plexus Compression. Diagnostics. 7(46):12.

Hooper, T.L, Denton, J., McGalliard, M.K., Brismée, J.M., Sizer, P.S. Jr. (2010) Thoracic outlet syndrome: a controversial clinical condition; part 1: anatomy and clinical examination/diagnosis. J Man Manip Ther. 18(2):74–83. 

Hooper, T.L, Denton, J., McGalliard, M.K., Brismée, J.M., Sizer, P.S. Jr. (2010) Thoracic outlet syndrome: a controversial clinical condition; part 2: non-surgical and surgical management. J Man Manip Ther. 18z(3):132–138. 

Vanti, C., Natalini, L., Romeo, A., Tosarelli, D., Pillastrini, P. (2007) Conservative treatment of thoracic outlet syndrome: a review of the literature. Eura Medicophys. 43(1):55–70. 


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Disfunção Sacro-ilíaca (SI) – O que é?

A disfunção Sacro-ilíaca (SI) afeta 15 a 20% dos pacientes que referem dor na região inferior das costas (Jonely et al., 2015).

A disfunção da SI é uma condição que pode resultar de “rigidez” (hipomobilidade) ou “laxidão” (hipermobilidade) a nível desta articulação, na pélvis. A SI é uma articulação entre o sacro e o ilíaco (osso da pélvis). Geralmente os 2 lados desta articulação funcionam em conjunto. Assim, quando um dos lados se torna menos móvel ou imóvel, a articulação não se move em conjunto o que poderá provocar dor ou “rigidez” muscular na área. Em resultado desta diminuição de mobilidade de um dos lados, o outro lado poderá compensar movendo-se demais (hipermóvel) (Jonely et al., 2015; APTA, 2017). 

Figura 1- Anatomia Sacro-ilíaca

Esta condição poderá ocorrer nas seguintes condições:
- Ciclo menstrual ou gravidez por alterações hormonais que provocam laxidão ligamentar;
- Situações de queda, sobre um dos lados do corpo, alterando a posição da articulação;
- Treino excessivo (atletas);
- Desequilíbrios e problemas musculares (como hipermobilidade ou displasia) (Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 2 - (A) Queda; (B) Alteração da posição da articulação (exemplo)



Disfunção SI – Quais os Sintomas?

Indivíduos com disfunção sacro-ilíaca podem referir:
- Dor localizada, num dos lados, nas regiões da pélvis, inferior das costas, virilha ou cóccix;
- Dor que pode irradiar até ao joelho;
- Dor em movimentos como: andar, de pé, passar da posição de sentado para de pé, virar na cama, dobrar/rodar;
- Sensibilidade e tensão nos músculos da região da anca (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 3 - Região de dor



Disfunção SI – Que Intervenção?

Tendo por base o seu caso, o plano de intervenção poderá incluir:
- Terapia Manual (técnicas de mobilização articular, técnicas de músculo-energia, massagem e outras);
- Exercícios de flexibilidade (para melhorar a mobilidade dos músculos da região o que permitirá diminuir o “stress” na SI);
- Exercícios de fortalecimento (para melhorar a estabilidade da articulação SI e da região lombar);
- Calor/Gelo (para relaxar músculos tensos/ para aliviar a dor);
- Ortótese (poderá ser recomendada a utilização de uma “cinta SI” utilizada para suportar a articulação SI durante as atividades do dia-a-dia enquanto recupera a sua força e flexibilidade) (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 4 - Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados



Disfunção SI – Pode ser Prevenida?

Esta condição pode ser prevenida através de:
- Manutenção de uma atividade física regular/realização programas de exercícios (que incluam fortalecimento e flexibilidade);
- Prevenção de quedas;
- Utilização de uma mecânica corporal apropriada (por exemplo: manutenção de uma postura adequada na realização de tarefas) (Jonely et al., 2015; Mitchell et al., 2009; Monticone et al., 2004; APTA, 2017).

Figura 5- Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados



Referências:
Jonely, H., Brisme´e, J.M., Desai, M., Reoli, R. (2015) Chronic sacroiliac joint and pelvic girdle dysfunction in a 35-year-old nulliparous woman successfully managed with multimodal and multidisciplinary approach. Journal of Manual and Manipulative Therapy. 23(1). 20-26.

Mitchell, D., Esler, D. (2009) Pelvic instability Painful pelvic girdle in pregnancy. Australian Family Physician. 38 (6). 409-410.

Monticone, M., Barbarino, A., Testi, C., Arzano, S., Moschi, A., Negrini, S. (2004) Symptomatic Efficacy of stbilizing treatment versus laser therapy for sub-acute low back pain with positive tests for sacroiliac dysfunction:a randomised clincal controlled trial with 1 year follow-up. Eur Med Phys. 40. 263-268.

Massoud Arab, A., Nourbakhsh, M., Mohammadifar, A. (2011) The relationship between hamstring length and gluteal muscle strength in individuals with sacroiliac joint dysfunction. Journal of Manual and Manipulative Therapy. 19 (1). 5-10.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Trocanterite – O que é?

A Trocanterite é uma condição que se carateriza por dor, ao nível ou em redor do trocânter maior, na anca (Mellor et al., 2016).

A bursa, uma estrutura tipo “saco” que contém um fluido, localiza-se sobre o trocânter maior, uma proeminência óssea na parte lateral do osso da anca (fémur). Esta estrutura permite reduzir a fricção entre o osso e os músculos que se inserem nessa região. Em casos de Trocanterite existe uma inflamação da bursa, em resultado de uma fricção excessiva e, que poderá ser devida a uma combinação de fraqueza muscular e encurtamento (Reid, 2016; APTA, 2017).

Figura 1 - Anatomia da Anca

Esta condição é mais comum em mulheres de meia-idade, moderadamente ativas, e em indivíduos que aumentaram recentemente o nível de atividade física. Embora tradicionalmente, se considere esta condição como Trocanterite, atualmente imagens de diagnóstico assim como procedimentos médicos, realizados em indivíduos que apresentam dor a nível da anca, demonstram que a patologia primária está relacionada com uma Tendinopatia a nível dos glúteos e à qual, geralmente, se associa uma distensão da bursa (Mellor et al., 2016; Reid, 2016; APTA, 2017).



Trocanterite – Quais os sintomas?

Em caso de Trocanterite poderá sentir:

- Dor quando está deitado sobre o lado afetado;
- Sensibilidade à palpação na parte lateral da anca;
- Tensão na anca;
- Dor e “rigidez” quando se senta durante longos períodos de tempo, anda (sobretudo nos primeiros passos), se agacha (Grumet et al., 2010; Reid, 2016; APTA, 2017).


Trocanterite – Que Intervenção?

Em caso de Trocanterite o seu plano de intervenção poderá incluir:

- Estratégias para Redução da dor. Aconselhamento para aplicação de gelo na área afetada, interrupção da atividade e outros.

- Terapia Manual. Inclui técnicas para melhorar amplitude de movimento e força de regiões que são mais complicadas de tratar por si.

- Exercícios de fortalecimento muscular. Fraqueza e/ou desequilíbrios musculares podem provocar fricção excessiva na região do trocânter maior. Desta forma, serão incluídos exercícios para os músculos do CORE e estabilizadores da anca, em função das suas necessidades.  

- Exercícios de amplitude articular. As articulações da anca, joelho podem estar a mover-se de forma desadequada e provocar tensão no trocânter maior. Exercícios de alongamento poderão ser aplicados para reduzir a tensão e restaurar a amplitude de movimento normal.

Figura 2 - Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados

Deverá ter em consideração de que se não procurar tratamento, para a Trocanterite, a dor irá persistir e resultar em dificuldade para realizar as atividades pretendidas (Mellor et al., 2016; Reid, 2016; Grumet et al., 2010; Lustenberger et al., 2011; APTA, 2017).



Trocanterite – Pode ser Prevenida?

Os melhores métodos de prevenção, desta condição, estão relacionados com:

- Manutenção de uma força muscular e mobilidade adequadas a nível do membro inferior;

- Rotina de exercícios (ter em atenção mudanças no programa de exercícios como: volume de exercício, calçado e outros) (Reid, 2016; Mellor et al., 2016; APTA, 2017).

Figura 3 - Exemplos de exercícios que poderão ser recomendados


Referências:

Mellor, R., Grimaldi, A., Wajswelner, H., Hodges, P., Abbott, JH., Bennell, K., Vicenzino, B. (2016) Exercise and load modification versus corticosteroid injection versus ‘wait and see’ for persistent gluteus medius/minimus tendinopathy (the LEAP trial): a protocol for a randomised clinical trial. BMC Musculoskeletal Disorders. 17:196.

Reid, D. (2016) The management of greater trochanteric pain syndrome: A systematic literature review. Journal of Orthopaedics 13: 15 – 28.

Lustenberger, DP., Ng, VY., Best, TM., Ellis, TJ. (2011) Efficacy of treatment of trochanteric bursitis: a systematic review. Clin J Sport Med. 21(5):447-453.

Grumet, RC., Frank, RM., Slabaugh, MA., et al. (2010) Lateral hip pain in an athletic population: differential diagnosis and treatment options. Sports Health. 2(3):191-196.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Artroplastia da Anca (Prótese da Anca) – O que é?

A Artroplastia Total da Anca (Prótese da Anca) é uma intervenção cirúrgica, realizada em casos de osteoartrose severa ou fratura da anca, quando todos os tratamentos conservadores falham. Nesta cirurgia são removidos o osso e cartilagem da anca afetada e substituídos por uma prótese ou anca artificial (Masaracchio et al., 2017; Benditz et al., 2017; APTA, 2017).

Existem 2 tipos de cirurgia de Artroplastia da Anca:

Artroplastia Total da Anca (são substituídos a cabeça do fémur, osso da perna, e a região de “encaixe” no ilíaco, osso da anca).
Hemiartroplastia da Anca (apenas a cabeça do fémur é substituída) (APTA, 2017). 




Artroplastia da Anca – Quais os sintomas?

Antes da cirurgia, poderá sentir:
- Dor severa na anca e virilha;
- Dificuldade a andar, subir/descer escadas e dormir sobre o lado afetado (Masaracchio et al., 2017; Pozzi et al., 2017; APTA, 2017).


Após a cirurgia, poderá experienciar:
- “Rigidez” na anca e perna;
- Fraqueza muscular;
- Dor (que poderá estar presente entre 4 a 6 semanas ou mais) (Masaracchio et al., 2017; Pozzi et al., 2017; APTA, 2017).

Dependo do seu caso/método cirúrgico terá de limitar o peso que coloca na perna operada. O Fisioterapeuta ensiná-lo-á a fazê-lo e recomendará um auxiliar de marcha adequado (canadianas ou andarilho).


Artroplastia da Anca – Que Intervenção?

Antes da cirurgia, o Fisioterapeuta ensinar-lhe-á exercícios que ajudem o corpo a preparar-se para a cirurgia. Estas sessões poderão incluir:
- Exercícios de flexibilidade e fortalecimento para os membros inferiores;
- Ensino sobre como usar um auxiliar de marcha (canadiana, andarilho) para andar, subir/descer escadas;
- Ensino das precauções a ter após a cirurgia (estará proibido dobrar a anca mais de 90 graus, dobrar o tronco à frente mais de 90 graus, cruzar as pernas, rodar a perna para dentro e outros).

Após a cirurgia começará, no 1º ou 2º dia após a cirurgia, a ser acompanhado por um Fisioterapeuta. Serão revistas algumas das precauções que deverá adotar de forma a evitar nova lesão assim como restaurar a função.

Entre os primeiros 3-5 dias, a intervenção incluirá:
- Ensino (como virar na cama, passar de deitado para sentado, levantar-se da cama e sentar-se numa cadeira, andar curtas distancias com um auxiliar de marcha);
- Exercícios passivos suaves de amplitude articular e fortalecimento muscular. 

À medida que a sua condição evolui a intervenção incluirá:
- Exercícios de equilíbrio;
- Exercícios de amplitude de movimento articular para a anca e perna (de forma a permitir que seja capaz de se calçar e descalçar sozinho);
- Exercícios específicos de fortalecimento muscular (para melhorar a sua capacidade de estar de pé e andar de forma independente e segura);
- Exercícios de alongamento (Nanaku et al., 2013; Masaracchio et al., 2017; Klapwijk et al., 2017; Benditz et al., 2017; Pozzi et al., 2017; APTA, 2017).





Artroplastia da Anca – Pode ser prevenida?

As quedas representam a causa mais frequente de fratura a nível da anca. Desta forma, uma das formas de prevenção está relacionada com a prevenção de quedas. O Fisioterapeuta poderá ajudar a diminuir o seu risco de queda através da prescrição de exercício e aconselhamento (ver publicação sobre quedas, neste blog) tendo sempre em conta as suas necessidades. 

A Artroplastia da Anca poderá, também, ser necessária em condições de osteoartrose (ver publicação sobre osteoartrose, neste blog). De forma a prevenir ou abrandar esta condição deverá seguir um estilo de vida saudável, integrando o exercício físico no seu dia-a-dia. O Fisioterapeuta poderá recomendar alguns exercícios de fortalecimento, condicionamento e flexibilidade que o ajudarão a manter a capacidade física ao longo da sua vida (Masaracchio et al., 2017; Benditz et al., 2017; APTA, 2017). 



Referências:
Nanaku, M., Tsuboyama, T., Akiyama, H., et al. (2013) Preoperative prediction of ambulatory status at 6 months after total hip arthroplasty. Phys Ther. 93:88-93.

Masaracchio, M., Hanney, WJ., Liu, X., Kolber, M., Kirker, K. (2017) Timing of rehabilitation on length of stay and cost in patients with hip or knee joint arthroplasty: A systematic review with meta-analysis. PLOSOne. 22.

Klapwijk, L., Mathijssen, N., Van Egmond, J., Verbeek, B., Vehmeijer, S. (2017) The first 6 weeks of recovery after primary total hip arthroplasty with fast track A diary study of 94 patients. Acta Orthopaedica. 88 (2): 140–144.

Benditz, A., Jansen, P., Schaible, J., Roll, C., Grifka, J., Götz, J. (2017) Psychological factors as risk factors for poor hip function after total hip arthroplasty. Therapeutics and Clinical Risk Management. 13 237–244.

Pozzi, F., Madara, K., Zeni Jr., J. (2017) A six-week supervised exercise and educational intervention after total hip arthroplasty: a case series. The International Journal of Sports Physical Therapy. 12 (2): 258 -272.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Torcicolo – O que é?


O torcicolo é uma condição que ocorre quando o músculo esternocleidomastoideu fica tenso, enfraquecido e/ou encurtado. Isto provoca uma inclinação da cabeça; a cabeça inclina para um lado e roda para o lado oposto.

Imagem 1 - Músculo Esternocleidomastoideu

Existem 5 formas de torcicolo:

- Torcicolo Muscular Congénito, o mais comum. Afeta bebés e é geralmente diagnosticado até aos 2 meses de vida. Algumas causas para o seu desenvolvimento poderão ser: trauma durante o parto ou dormir/permanecer na mesma posição por um período prolongado de tempo.

- Torcicolo Postural: diagnosticado quando a inclinação da cabeça, do bebé, tanto está presente como não. É diagnosticado durante os primeiros 5 meses de vida.

- Torcicolo ocular: é causado por problemas de visão, num olho, o que faz com que o indivíduo incline a cabeça para ver melhor.

- Torcicolo espasmódico: ocorre em crianças e adultos. Pode ser causado por inflamação, infeção, trauma ou ser o efeito de certos medicamentos e/ou drogas (Cocaína, anfetaminas e outros).

- Torcicolo agudo: ocorre quando a criança ou adulto “dobram” ou rodam demasiado o pescoço ou sofrem algum tipo de trauma. Poderá existir dor com o movimento da cabeça e existir sensibilidade à palpação do músculo.

Os torcicolos poderão trazer problemas adicionais como: aplanamento do crânio (plagiocefalia) em bebés, atrasos no desenvolvimento (motor e/ou cognitivo), escoliose, dificuldades no equilíbrio e outros (Carenzio et al., 2015; Gray et al., 2009; Junge et al., 2015; Lee et al., 2017; APTA, 2017).

Imagem 2 - Problemas que poderão associar-se a um torcicolo (plagiocefalia e escoliose), exemplos



Torcicolo – Quais os sintomas?

Um adulto, criança ou bebé poderão apresentar:
- Cabeça inclinada e/ou rodada para 1 lado do corpo;
- Dificuldade ou dor a “endireitar” o pescoço;
- Tensão no pescoço;
- Um nódulo no músculo do pescoço;
- Dor (dependendo do tipo de torcicolo) (Carenzio et al., 2015; Gray et al., 2009; APTA, 2017).


Imagem 3 - Torcicolo (exemplos)



Torcicolo – Que Intervenção?

A Fisioterapia é o primeiro tratamento aconselhado, em casos de torcicolo, independentemente da idade do paciente. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento melhores serão os resultados alcançados.

O plano de intervenção poderá incluir:
- Alongamento e Fortalecimento muscular;
- Massagem;
- Tapping;
- Programa de exercícios para realizar em casa.

O Plano de Intervenção permitirá: corrigir desequilíbrios musculares, ganhar amplitude de movimento (sem dor), melhorar o controlo postural e a simetria assim como, melhorar o alinhamento corporal (Carenzio et al., 2015; Gray et al., 2009; Junge et al., 2015; Lee et al., 2017; APTA, 2017).


Imagem 4 - Exemplos de técnicas e exercícios que poderão ser recomendados



Referências:
Gray, G., Tasso, K. (2009) Differential diagnosis of torticollis: a case report. Pediatr Phys Ther. 21:369–374. 

American Physical Therapy Association. Guide to Phyical Therapist Practice. 2nd ed. Alexandria, VA: American Physical Therapy Association; 2003:146-160.

Jung, Y., Kang, E., Lee, S., Nam, D., Cheon, J., Kim, H. (2015) Factors That Affect the Rehabilitation Duration in Patients With Congenital Muscular Torticollis. Ann Rehabil Med. 39(1):18-24.

Lee, K., Chung, E., Lee, B. (2017) A comparison of outcomes of asymmetry in infants with congenital muscular torticollis according to age upon starting treatment. J. Phys. Ther. Sci. 29: 543–547.

Carenzio, G. et al. (2015) Early rehabilitation treatment in newborns with congenital muscular torticollis. Eur J. Phys Rehabil Med. 51: 539-45.